Vinhos Espumantes além do Champagne: Regiões Produtoras
Os vinhos espumantes estão presentes em muitas comemorações, e servem para abrilhantar datas festivas, entretanto sua complexidade vai muito…
Os vinhos espumantes estão presentes em muitas comemorações, e servem para abrilhantar datas festivas, entretanto sua complexidade vai muito além do que imaginamos. Desde o entendimento da sensação da carbonatação (bolhas) em contato com a língua, a percepção do paladar nunca mais foi a mesma. Mas o fato é que essas bolhas (Perlage), têm ligação diretamente ao método de produção, resultado da sacarificação do amido da matéria prima, feito por leveduras, transformando-o em Álcool e CO² (Gás Carbônico) que permanece na própria bebida. Neste post, falaremos sobre os tipos de vinhos espumantes e as principais regiões produtoras dessa bebida.
Neste artigo você vai ver
O Diferencial entre os Espumantes
O processo de produção dos espumantes altera a sua complexidade, estrutura e a própria carbonatação (Perlage). Sua produção se dá através de três métodos possíveis:
- Clássico (ou Tradicional ou Champagnoise)
- Charmat
- Asti
Método Clássico
Dom Perignon desenvolveu este método na região de champagne na França. Nele, o vinho passa pelo processo de filtragem e seu envase ocorre após a primeira fermentação. Posteriormente, adiciona-se um licor com leveduras (licor de Expedição ou licor de Tirage), alimento para a segunda fermentação que ocorre dentro da própria garrafa.
Durante essa etapa acontece o remuage: lenta inclinação das garrafas para que toda bebida tenha uma fermentação padronizada, melhorando assim a qualidade. Ao final do remuage, a garrafa fica inclinada a 90 graus para o Dégorgement, que é a ação de retirada dessas leveduras.
A metodologia do remuage foi desenvolvida por Madame Clicquot, produtora do Champagne Veuve Clicquot, no século XIX
Método Charmat
Em 1895, na Itália, Federico Martinotti desenvolveu este método, contudo, quem o patenteou foi o francês Eugène Charmat, em 1907.
Após a primeira fermentação, o vinho passa pela filtragem e, então, vai para uma autoclave, quando recebe a adição do licor de Expedição (Tirage). A segunda fermentação ocorre dentro da autoclave e, ao final, passa novamente por filtragem para retirar as leveduras e partir para o envase.
Essa fermentação em tanque de inox traz uma qualidade melhor e, além disso, sem a presença do remuage o custo de produção é menor.
Asti
O método Astri é utilizado em espumantes da região de Piemonte na Itália, tendo em seu processo uma fermentação única da vitivinífera moscato, trazendo assim maior leveza maior dulçor e menor graduação alcoólica.
Os Tipos de Vinhos Espumantes
Reconhecemos e diferenciamos os espumantes através da sua DO (Denominação de Origem). O primeiro DO do mundo foi Douro em Portugal, conquistado através do Marquês de Pombal, em 1756.
Para se obter uma DO, leva-se muitos anos com o comprometimento na produção, bem como o reconhecimento de inúmeros aspectos, dentre eles terroir, clima, microclima, interferências humanas, culturais e étnicas.
DO é muito mais do que uma simples certificação, é uma comprovação de origens, raízes. É como um DNA, atestando a veracidade cultural de uma determinada região, dessa forma garantindo ao consumidor que ele realmente deguste uma produção de especialistas com conhecimentos ancestrais. O primeiro DO do mundo foi Douro em Portugal conquistado através do Marquês de Pombal em 1756.
O espumante mais famoso do mundo (Champagne) recebeu o nome de sua região e, consequentemente, o DO, assim sendo possível o diferenciar de quaisquer espumantes do mundo, tornando-se único.
Nível de Açúcar
Os espumantes se diferenciam também por seus diversos teores de açúcar, o que também contribui para atender a individualidade de paladar de cada um, indo do mais seco ao mais doce. As classificações são:
- Nature (ou Non-Dosé) – Até 3 g/L: Sua produção não conta com a adição do licor de expedição, trazendo assim maior leveza e maior acidez
- Extra-Brut – 3,1 – 8 g/L: Possui complexidade no sabor e acidez marcante
- Brut – 8,1 – 15 g/L: Conta com notas de frutas secas e pão torrado, com acidez equilibrada
- Extra-Dry – 12 – 17 g/L: Possui um dulçor um pouco maior que o Brut, contudo, com sensação de refrescância
- Sec (ou Dry) – 15,1 – 20 g/L: É um pouco mais adocicado e de acidez equilibrada
- Demi-Sec – 20,1 – 60 g/L: Maior aceitação do paladar brasileiro, com dulçor moderado e marcante e acidez equilibrada
- Doce – Acima de 60 g/L: O dulçor é marcante e a acidez equilibrada, sendo ótima opção para harmonização com sobremesa
- Moscatel – A partir de 60 g/L: De produção exclusiva com uva moscatel, com dulçor destacado, ótima acidez e ideal para harmonização com sobremesas
Por que o Champagne é tão especial?
O espumante produzido pelo método clássico na região de Champagne na França, tornou-se o pioneiro em produções deste método, ganhando assim o mundo com o nome da região. A localização, clima, microclima, solo e interferências humanas contribuíram para tornar esta uma produção única.
O método remuage é um processo lento, que pode levar até 90 dias, em que as garrafas são giradas levemente para que as leveduras sejam fermentadas de maneira padronizada. Além disso, existe, é claro, o requinte da fonética do idioma francês que contribuiu muito para que se tornasse sinônimo de luxo em qualquer lugar do mundo.
Regiões de destaque na Produção de Vinhos e Espumantes
- Champagne – Espumante de método clássico na região nordeste da França
- Cava – Espumante de método clássico na região de Penèdes, Espanha.
- Sekt – Espumante Alemão de método clássico e método charmat
- Prosecco – Espumante produzido pelo método charmat na região de Vêneto, na Itália
- Altos de Pinto Bandeira – Espumante de método clássico em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil
- Asti – Espumante de método de fermentação única da uva moscato na região de Piemonte, na Itália
Conclusão
Os espumantes possuem o intuito de agradar a individualidade do paladar dos seus consumidores, tendo em vista que fazem parte de inúmeras comemorações na vida das pessoas.
São diversas as possibilidades de harmonização que os diferentes perfis sensoriais oferecem, e a não singularidade de uma bebida tão especial é o que a torna memorável. Degustar diferentes espumantes, resultados de diferentes regiões produtoras, expande nosso conhecimento e aguça nossas afinidades.

